EXTINTORES PORTÁTEIS

 

Sumário

1. - INTRODUÇÃO

O que são agentes extintores

O que é um extintor

Como funciona um extintor

Tipos de extintores

2. - DIMENSIONAMENTO E IMPLANTAÇÃO DE EXTINTORES

2.1. - ESCOLHA DO AGENTE EXTINTOR

2.2. - NÚMERO DE EXTINTORES

2.3.  - EFICÁCIA DE EXTINTORES PARA FOGOS DA CLASSE A

2.4. - EFICÁCIA DE EXTINTORES PARA FOGOS DA CLASSE B

3. - LOCALIZAÇÃO DOS EXTINTORES 

 

1. - INTRODUÇÃO

O que são agentes extintores

Chama-se agente extintor qualquer substância que, ao ser projectada sobre uma combustão, actua sobre esta, química ou fisicamente, provocando a sua extinção. 

 

 

O que é um extintor

 Extintor é um equipamento que contém um agente extintor (água, espuma, pó, dióxido de carbono – CO2) que pode ser projectado e dirigido sobre um fogo, por acção de uma pressão interna.

 

 

Como funciona um extintor

 Como já foi referido o extintor tem no seu interior, normalmente, dois agentes: Um agente extintor (água, espuma, pó, dióxido de carbono – CO2) e outro que funciona como propulsor. No caso do CO2 este agente tem as duas funções.

 

 

Tipos de extintores

 Existem dois tipos de extintores, a saber: 

Nos extintores permanentemente pressuarizados o agente extintor  e o gás propulsor estão misturados no recipiente. Quando o extintor é activado o agente extintor é expelido por um tubo de pesca, passa por uma mangueira, caso a tenha. A descarga pode sempre ser controlada através de uma válvula que existe ou na extremidade da mangueira ou na cabeça do extintor.

Esquema do funcionamento de extintor de pressão não permanente

 

 

 

 

2. - DIMENSIONAMENTO E IMPLANTAÇÃO DE EXTINTORES

  Os princípios a respeitar para a implantação dos extintores são impostos essencialmente:

 

·        Pela natureza dos riscos e da superfície dos locais a proteger;

·        Pela contra – indicação dos produtos em função da presença eléctrica;

·        Pelo volume e densidade de ocupação dos locais (diminuição da visibilidade no caso do emprego de pó químico;

·        Pela acção nociva dos produtos sobre os materiais armazenados (corrosão, embora diminuta), sobre os equipamentos eléctricos ou electrónicos, aparelhos de precisão, etc ... 

 

Iremos analisar o problema que sob o ponto de vista de segurança se apresenta ao técnico aquando da protecção de determinado edifício com meios de interacções (extintores portáteis). Para isso e tendo em consideração os princípios de implantação, devem-se analisar inicialmente as condições do incêndio mais prováveis e proceder-se:

 

·        À selecção do tipo de extintor (escolha do agente extintor );

·        À capacidade do extintor;

·        À quantidade de extintores (número).

 

 

 

2.1. – ESCOLHA DO AGENTE EXTINTOR

  Uma vez conhecidos os materiais combustíveis existentes nos diferentes locais a proteger, o agente extintor deve ser o apropriado para as classes de fogo em presença, com a finalidade de que a sua acção se manifesta a mais eficaz.  

 

Classes de Fogos

Classe A

Sólidos

Madeira, Papel, Cortiça,  Tecidos, PVC, ...

Classe B

Líquidos

Álcool, Gasolina, Éter, Óleo, Azeite, ...

Classe C

Gases

Butano, Propano. Acetileno, Hidrogénio, ...

Classe D

Metais e outros

Sódio, Potácio, Magnésio, Radioactivos, ...

 

Consideram-se adequados para cada uma das CLASSES DE FOGO, os seguintes agentes extintores: (Quadro I)

Na elaboração deste Quadro teve-se em consideração a NP-1800.

 

    Quadro I

 

 

CLASSE DE FOGO  

AGENTE EXTINTOR

A  

B  

C  

D  

Água em jacto  

Eficaz 

Não Usar  

Não Usar  

Não Usar  

Água em nevoeiro  

Muito Eficaz

Não Usar  

Não Usar  

Não Usar  

Espuma  

Eficaz 

Muito Eficaz 

Não Usar  

Não Usar  

Pó BC  

Não Usar  

Muito Eficaz

Muito Eficaz

Não Usar  

Pó ABC  

Muito Eficaz

Muito Eficaz

Muito Eficaz

Não Usar  

CO 2  

Pouco eficaz

Eficaz 

Eficaz 

Não Usar  

Pó Especial

Não Usar  

Não Usar  

Não Usar  

Eficaz

 

2.2. - NÚMERO DE EXTINTORES

Uma vez escolhido o tipo de extintor, segundo o agente extintor mais adequado, de seguida calcula-se o número de extintores necessários para proteger o edifício e por fim, procede-se à sua localização (distribuição).

 

Cálculo do numero de extintores

Para se determinar a quantidade de extintores necessários a cada caso, temos de considerar o risco existente na área a proteger, bem como a eficácia do extintor (depende do agente extintor e capacidade). Consideram-se os seguintes três níveis de riscos:

 

RISCOS LIGEIROS - Considera-se risco ligeiro quando as quantidades de combustível ou de líquidos inflamáveis presentes podem contribuir para a ocorrência de incêndios de pequenas proporções. Estão incluídos nestes casos os escritórios, escolas, igrejas, locais de reunião, centrais telefónicas, etc.

 

RISCOS ORDINÁRIOS - Considera-se risco ordinário quando as quantidades de combustível ou de líquidos inflamáveis presentes podem contribuir para a ocorrência de incêndios de dimensões normais. Estão incluídas nestes casos os armazéns, parques de estacionamento, pequenas fábricas, armazéns de mercadorias não classificadas como perigosas, lojas de artigos escolares, etc.

 

RISCOS GRAVES - Considera-se risco grave quando as quantidades de combustível ou de líquidos inflamáveis presentes podem contribuir para a ocorrência de incêndios de grandes proporções. Estão incluídos nestes casos as serrações, oficinas de automóveis e de manutenção de aviões, armazéns de combustíveis e processos que envolvem o manuseamento de líquidos inflamáveis, tintas, de ceras, etc.

 

O passo seguinte consiste na selecção consoante o tipo de construção e ocupação:

 

·        A protecção das construções devera ser feita por extintores apropriados para o combate a fogos da classe A;

·        A protecção dos riscos de ocupação deverá ser feita por extintores apropriados para o combate a fogos das classes A, B, C ou D, consoante o tipo de riscos que a ocupação apresente. Os locais deverão ser protegidos consoante o maior risco que efectivamente apresentem.

 

É evidente que os extintores apropriados para proteger as construções protegem igualmente ocupações com risco de fogo da classe A; as construções com um tipo de ocupação que apresente riscos de fogo das classes B e/ou C, deverão ter além de extintores para o combate a fogos da classe A, extintores para fogos das classes B e/ou C.

A Norma Portuguesa NP-1589 classifica os extintores portáteis para uso em certas classes de fogos e calculados para oferecerem eficácia relativamente à extinção de incêndios. A classificação dos extintores é representada por uma letra, que indica a classe de fogo para o qual um extintor tenha demonstrado capacidade efectiva, precedida de um número de classificação (somente para as classes A e B) que indica a dimensão fogo  - tipo, em que o extintor satisfaz.

Os extintores classificados para uso dos fogos da classes C ou D não necessitam de ter um numero precedendo a letra de classificação.

Quando os extintores tenham mais de uma letra de classificação considera-se que satisfazem os requisitos de cada letra, por exemplo 2 A, 20 B.

 

   

2.3. - EFICÁCIA DE EXTINTORES PARA FOGOS DA CLASSE A

  A eficácia mínima dos extintores para os diferentes tipo de risco (Ligeiro, Ordinário e Grave) é determinada de acordo com o Quadro II, e resulta da aplicação da NP – 1589.

 

  QUADRO II  

Área a proteger (m2)  

Eficácia do Extintor

Risco Ligeiro  

Risco Ordinário  

Risco Grave  

5 A

8A

13 A

21 A

34 A

55 A

300

600

900

1125

1125

1125

- - - - - - 

300

450

600

900

1125

- - - - - - 

- - - - - - 

300

400

600

900

 A distância máxima a percorrer até um extintor não deverá exceder 25 m.  

Quando a área for inferior à indicada no Quadro II, deve existir pelo menos um extintor de eficácia mínima indicada para o respectivo risco.

Os requisitos de extinção de fogos podem ser satisfeitos com extintores de maior eficácia, não devendo no entanto a distância a percorrer exceder os 25 metros.

Em Portugal já se encontram extintores com a indicando da sua eficácia em fogos-tipo. Para orientação podem tomar-se os seguintes números apresentados no Quadro III.

 

  QUADRO III

Agente Extintor  

Capacidade

Princípio de Funcionamento  

Eficácia do Extintor

Classificação  

Água  

Pó ABC  

Pó ABC

10 litros

6 Kg  

12 Kg

Pressurizado

Pressurizado  

Pressurizado  

21 A  

13 A  

21 A  

 

2.4. – EFICÁCIA DE EXTINTORES PARA FOGOS DA CLASSE B

A eficácia mínima dos extintores para os diferentes tipos de risco deve ser escolhida de acordo com o Quadro IV.  

  QUADRO IV

Tipo de risco  

Eficácia mínima dos extintores  

Distância máxima a percorrer até ao extintor (m)  

Ligeiro

 

5 B

10 B  

9

15  

Ordinário 

10 B

20 B  

9

15  

Grave  

20 B

40 B  

9

15  

 

Não devem ser utilizados mais do que dois extintores para a protecção requerida no quadro. A protecção requerida pode ser satisfeita com extintores de maior eficácia, desde que a distância a percorrer seja inferior a 15m.

Os extintores portáteis para cobertura de riscos devidos à presença de líquidos susceptíveis de derrame cobrindo uma área superior a 2,00 m2 com a espessura superior a 6 mm não devem constituir a única protecção existente.

Para riscos inerentes a líquidos inflamáveis armazenados em tanques, deverão distribuir-se extintores para fogos da classe B, de modo a existir pelo menos uma unidade por m2 de superfície do maior tanque da área a proteger.

Tal como no caso anterior apresentamos o Quadro V  para orientação.

 

  Quadro V

Agente Extintor

Capacidade  

Princípio de funcionamento  

Eficácia do extintor

(Classificação)  

CO 2

Pó BC

Halon

6 Kg

6 Kg

6Kg  

Pressurizado

Garrafa interior

Pressurizado  

40 B

144 B

55 B  

 

 

3. - LOCALIZAÇÃO DOS EXTINTOR

Após a escolha do extintor que satisfaça eficazmente a protecção do local pretendido passa-se à sua implantação. Assim, os extintores devem ser colocados em suportes de parede ou montados em pequenos receptáculos, de modo a que o topo do extintor não fique a altura superior a 1,50 m acima do solo.

Os extintores devem estar em locais acessíveis e visíveis em caso de incêndio, sinalizados segundo as normas portuguesas aplicáveis. Devem estar localizados nas áreas de trabalho e ao longo dos percursos normais, incluindo as saídas, os acessos aos extintores não devem estar obstruídos e estes não devem estar ocultos.

Em grandes compartimentos ou em certos locais, quando a obstrução visual não possa ser evitada, devem existir meios suplementares que indiquem a sua localização.

Os extintores colocados em locais em que possam sofrer danos físicos devem ser protegidos em caixas metálicas ou plásticas.

 

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